As Empresas que Acabaram com os Gerentes

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O título da matéria pode parecer um pouco exagerado, mas muitas empresas atuais acabaram com o cargo de gerência. A grande parte das empresas atuais seguem um modelo de gerenciamento que tem sido responsável por desmotivar a criatividade e consequentemente afundar a empresa a médio ou longo prazo. Se você olhar para as empresas em destaque que mais cresceram na última década perceberá que a maioria possui um modelo de gerenciamento fortemente focado ao indivíduo e que estimula a criatividade.

Modelo de Gerenciamento não Hierárquico

A mais conhecida foi o Google que criou um modelo de gerenciamento em que os gerentes não possuem um controle total sobre o projeto. Cada membro do projeto possui a possibilidade de gerenciar e criar diretrizes, tirando assim o controle da mão de uma só pessoa. Muitos projetos que foram levados a diante pela empresa começaram da idéia de um funcionário e que depois acabou sendo acolhida por toda empresa. Além disso a empresa permite que seus funcionários gastem até 30% do seu tempo em projetos pessoais. Foi assim que nasceu por exemplo o Orkut.

No Facebook ou na Apple não é diferente. Esta autonomia que o funcionário possui estimula a criatividade e consequentemente acaba gerando novos produtos e serviços.

A Morte da Criatividade na Microsoft

A Microsoft foi uma empresa que escolheu o caminho oposto e hoje colhe os péssimos frutos de tão equivocada decisão. Mais recentemente com o lançamento do seu tablet a empresa foi durantemente criticada pela imprensa mundial por lançar um produto sem qualquer inovação ou que trouxesse algo diferente para o mercado.

O que pouca gente sabe é que a Microsoft já tinha um projeto de um tablet touchscreen em 1998, muito antes do lançamento do Ipad e mesmo do Iphone. Contudo, o projeto foi duramente rejeitado por Bill Gates, CEO da empresa na época e seus criadores foram remanejados para trabalhar em ferramentas para o MS Office.

Mas não foi só isso. A Microsoft andou na contramão das empresas de tecnologia que se destacaram no mercado nos últimos anos, como a Apple ou mesmo o Facebook e centralizou o poder nas mãos dos gerentes criando um um sistema de gestão conhecido como “stack ranking”, um programa que obriga cada unidade a declarar uma determinada porcentagem de empregados de acordo com a seguinte classificação:   melhor desempenho, funcionários bons, médios e fracos, anulando efetivamente capacidade da Microsoft de inovar.

Um reporter da revista Vannity Fair disse que todos os atuais e ex-funcionário da Microsoft que ele entrevistou citou o stack ranking como o processo mais destrutivo dentro da Microsoft, algo que expulsou um número incontável de funcionários.

“Se você estivesse em uma equipe de 10 pessoas, que chegassem ao trabalho sabendo que, não importa quão bom funcionário você fosse, 2 pessoas iriam obter uma boa avaliação, 7 obteriam avaliações medíocres, e 1 ia obter uma avaliação terrível “, diz um ex-desenvolvedor de software da empresa. “Isso leva a funcionários a competir uns com os outros em vez de competir com outras empresas.

Entre as empresas de tecnologia e até de outros setores que surgem a cada ano e crescem rapidamente, a grande maioria não possui um sistema hierárquico de gerenciamento, mas sim um modelo de contribuição em que cada um usa seus melhores talentos em prol do crescimento da empresa.

Mas você pode pensar: Este sistema não dá muita liberdade aos funcionários? Isso não pode gerar problemas para a empresa?

Sim, mas a porcentagem de problemas gerado é muito menor do que os benefícios que este modelo traz. Se por exemplo neste modelo 90% dos funcionários estiverem realmente empenhados em algo que acarretará em crescimento e 10% não produzirem o suficiente, ainda assim vale arriscar tendo a chance de 90% dar certo do que recuar com medo dos 10% que podem dar errado.

No modelo de gerenciamento atual, que na maioria das vezes se parece bastante ao da Microsoft, os funcionários perdem mais tempo tentando mostrar para seus superiores que estão contribuindo para empresa, do que efetivamente contribuirem para algo.

Pela minha experiência trabalhando em um regime não hierárquico, vejo que os resultados são na maioria das vezes bastante satisfatórios e que eu acredito que funcionam para qualquer empresa que realmente tentar esta abordagem: Crescimento nas vendas, inovação e satisfação do cliente. Estes deveriam ser o foco de qualquer empresa que quiser crescer nos próximos anos.

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